Igreja do Convento de São Francisco

Os franciscanos instalados em Santarém, iniciaram as obras de edificação do seu convento em 1242 e terminaram a sua construção, na segunda metade do século XIII, por volta de 1282. O convento resultou de uma construção austera, sem elementos decorativos, típico das ordens religiosas mendicantes, particularmente dos dominicanos e franciscanos.
D. Fernando patrocinou, na segunda metade do século XIV, obras de ampliação e restauro do convento, nomeadamente a construção do coro-alto, a alteração da nave central, em três tramos médios e o início da construção do claustro. O monarca, D. Fernando, faleceu em 1383, tendo sido sepultado, nave central da igreja do convento. Tendo estado, também sepultada, no coro alto, a sua mãe, D. Constança Manuel. No convento existia um grande sepulcro.

D. Duarte de Menezes obrou na finalização da construção do claustro. Tendo sido sepultado na capela sepulcral, actual Capela das Almas, mandada erguer pela sua viúva, D. Isabel de Castro.
Nos séculos XVI e XVII, são executadas várias obras de reconstrução no convento e respectiva igreja, incorporando-se elementos decorativos característicos dos estilos renascentistas e maneirista, tais como, a construção do arco renascentista da Capela de Santa Ana e a reconstrução da Capela das Almas.
Após a extinção da ordem, no século XIX, o Regimento de Cavalaria nº4, é instalado na igreja e no claustro de antigo convento, permanecendo aí, até meados do século XX.

O tempo e um incêndio, em 1940, levaram o edifício conventual a graves degradações até ficar quase em ruínas. As ossadas de D. Fernando e da sua mãe foram transladadas, para o Museu Arqueológico do Convento do Carmo e as de D. Duarte de Menezes para a Igreja de São João de Alporão.
O Convento esteve várias décadas fechadas ao público, tendo sido aberto em 24 de Julho de 2009, após restauros e limpezas, ordenadas pelo presidente da câmara de Santarém, Francisco Moita Flores.

A igreja do convento de São Francisco de Santarém é o fiel exemplo da tipologia adoptadas pelos mendicantes a partir da influência da arquitectura cisterciense, proposta como modelo a franciscanos e a dominicanos em 1215, no IV Concílio de Latrão. Aliando um amplo corpo de três naves de cinco tramos com cobertura de madeira a um longo transepto saliente e a uma cabeceira bastante desenvolvida, de cinco capelas quadrangulares escalonadas.

Através da sistematização das cabeceiras góticas nacionais é possível verificar o grau de excepção que o programa construtivo de São Francisco representa no contexto da arquitectura gótica portuguesa. As exageradas dimensões do templo, sugerem o envolvimento pessoal do rei na construção dos conventos mendicantes escalabitanos. A circunstância de uma cabeceira com cinco capelas repete-se apenas em três igrejas do século XIII português, e todas mendicantes: Santa Clara de Santarém e possivelmente São Domingos de Santarém e São Francisco de Lisboa.

Fonte – Secretariado nacional da pastoral da cultura.

Cultura

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