Testemunhos de Peregrinos

De: Soraia Lalim a 13/05/2011

Bom Dia a todos!

os deixar o meu testemunho, já é o 3º ano que faço peregrinação a Fátima com um grupo de amigos de Camarate, vamos sempre na altura do Carnaval…

Apesar de eu não ir a pé vou na carrinha a dar apoio aos peregrinos, não é por não ir a pé que deixa de ser uma peregrinação, pois é verdade que não há aquelas emoções e sentimentos de quem vai a pé, mas também é emocionante.

E eu acredito que toda a gente que vai a fatima deve de certa forma em acreditar em alguma coisa e é magnifico…

A primeira vez que fiz a peregrinação tocou-me imenso, ver os que iam a pé sofrer com dores, cansados. Mas realmente é um dom de Deus podermos estar ao serviço dos outros e poder ajudar em tudo o que precisam.

Deixo aqui o meu apoio e força para todos os peregrinos!

 

“Há qualquer coisa em mim

que nos faz querer:

Acreditar, Acreditar”

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  • Testemunho de um casal que acompanhou a peregrinação num dos carros de apoio (dedicado a todos os jovens dos Grupos de Jovens Fraternos da Paróquia do Campo Grande).

 

Como disse no princípio do meu testemunho, na quarta-feira passada, precisava de arrumar um turbilhão de sentimentos, desencadeado na noite de Fátima, antes de conseguir partilhar o quão profundo foi, para mim, este caminho! A verdade é que só agora começo a controlar as emoções que ficaram à flor da pele – se, nessa vigília, estive 20 minutos com os olhos completamente secos, foi muito =).

A imagem da Cruz, assim, vista mesmo debaixo, poderosa e carregada de compromisso, tem regressado aos meus olhos outra e outra vez… Não vos aconteceu o mesmo?

Mas deixa-me regressar ao que vos quero dizer, à nossa partilha agradecida.

Sentimo-nos agradecidos por termos podido caminhar convosco, por terem querido viver connosco um momento assim importante do vosso percurso de Jovens Fraternos (já vos dissemos que somos vossos admiradores?).

Sentimo-nos agradecidos por nos terem desafiado, desarrumado, espantado, feito em pedaços e colado de novo com as vossas motivações, palestras e dinâmicas (e balões cheios de vida). Se pensam que elas são feitas à medida dos vossos miúdos, podem ter a certeza que, muitas vezes, acertam em cheio nos corações de gente com a idade dos vossos pais. Estamos com o Vitor… é um privilégio!

Sentimo-nos agradecidos por, nos bocadinhos em que conseguimos acompanhar o incrível Grupo BRANCO =), terem partilhado connosco o modo sério e carinhoso com que ajudam estes miúdos (e os nossos filhos) a crescer.

Sentimo-nos agradecidos por nos termos sentido amados por vocês, num sorriso, numa palavra ou numa brincadeira (ou numa mesa de fim-de-tarde…).

Sentimo-nos agradecidos por nos terem permitido devolver esse amor numa bolacha, num cantil de água ou num assento com rodas, quando as bolhas pesam mais… Desculpem-nos pelos momentos em que não conseguimos.

Sentimo-nos agradecidos pela alegria contagiante, pelos póneis, congas e afins, às vezes um bocadinho demais para nós =). Lembram-nos que a Fé também tem de ser festa (um santo triste é um triste santo).

E sentimo-nos agradecidos pelos momentos especiais… pelo sentimento de união da Missa de Ramos em Chã de Baixo, pela euforia da subida para Minde, pela surpresa do almoço “reduzido”, pela festa da Missa de Fátima.

Mas sentimo-nos profundamente agradecidos pela noite do Santuário, por nos terem guiado e proporcionado um contacto inesquecivelmente físico com o Amor de Deus! Debaixo da Cruz (quais Maria, Madalena ou João), sentimos que lá do alto, ENORME no Seu sofrimento, Cristo tinha apenas palavras de Amor para nós! Que todas as asneiras que temos feito não contam, nada reduzem no modo como Ele nos ama! Só consigo descrever como físico… físico como não pensei que fosse possível!

Se estivesse a falar não conseguia continuar… mas como estou a escrever… =)

Perceberam que também tivemos as nossas dificuldades e a Né foi quem sofreu mais com elas. Tínhamos vontade de fazer o percurso espiritual da peregrinação mas isso tinha de se compatibilizar com a nossa missão de serviço… e não foi sempre fácil. O facto de não conhecermos muito bem os vossos ritmos, hábitos e sinais não ajudou, já que estávamos preocupados em responder às vossas necessidades sem vos forçar a alterar planos por nossa causa (sentimo-nos 1 bocadinho melhor lá para o final da peregrinação).

Feitas as contas, nós temos mais a agradecer-vos do que vocês a nós =D

Por isso o atrevimento: disponham quando precisarem! Percebemos as vossas dores de crescimento e, às vezes, quem está de fora acrescenta um ponto de vista novo. Naquilo em que a nossa “senioridade” possa ser útil, não hesitem. Sabem, para nós 2030 é hoje… e uma semana das nossas férias pode contribuir, nas nossas contas, para a mudança do mundo (mesmo que não faça capa do “I”).

E sabem que mais? Estamos com imensas saudades da peregrinação! Faz parte da vossa técnica, não faz? =)

 

Abraços muuuito apertados,

Nuno e Né (in Família Missionária, Verbum Dei)

 

 

  • Testemunhos de, peregrinos, pessoas que prestam apoio aos peregrinos e de outros que em comunhão com o espírito de peregrinação dedicaram “miminhos” aos caminhantes, relatos de Paula Sofia/Região de Leiria, Publicado em 13 de Maio de 2010:

 

A caminho de Viseu

Augusta ergue uma cruz enfeitada de flores, enquanto caminha à frente de um grupo de 31 elementos, acabados de chegar ao Santuário. O ar franzino é talvez ainda mais carregado pela carga emocional que espelha. O marido também lá vem, no grupo, e quando finalmente chegam à Capelinha das Aparições, distribuem ambos abraços pelo restante grupo, com muitas, muitas lágrimas. Porque aos 36 anos, Augusta Gouveia carrega no corpo os efeitos de um cancro na mama. “Como acabei os tratamentos há pouco tempo, não fiz o trajecto todo a pé, como eles. Só fiz os últimos 16 km”. É também por ela que este ano rezam os familiares e amigos do grupo, que saiu na quinta-feira, dia 6, das freguesias de Budiosa e Póvoa de Calde, no concelho de Viseu. Dormiram pelo caminho, em tendas improvisadas “e até em palheiros”, como relata Maria do Carmo, amiga de Augusta Gouveia. “É uma peregrinação à pobre, percebe?”

 

A dor e a solidão do Vale do Ave

Quando finalmente chegaram ao Santuário na manhã de 11 de Maio, os cerca de 150 peregrinos de toda a região do Vale do Ave despiram os coletes e vestiram uma t-shirt laranja. Completaram ainda a indumentária colectiva com um boné, alusivo ao “Movimento da Mensagem de Fátima”. No momento em que ligam a mini-aparelhagem sonora que trazem, o cansaço dá lugar à comoção. O microfone sem fios vai rodando, para que cada um do grupo previamente escolhido faça ali uma saudação de boas-vindas, em jeito de oração. Acabou ali “uma peregrinação marcada pela dor, pela solidão, pela angústia”, que começou oito dias antes, em Amarante.
Marisa Sousa, 27 anos, enxuga as lágrimas para nos contar como é que ela e mais dois colegas dos Bombeiros Voluntários de Vila Meã foram prestando auxílio aos peregrinos. “Sei bem o que é, porque já vim duas vezes a pé”. E isso parece ser essencial para se compreender os estados de espírito que pairam no Santuário.

 

Obrigada, Senhora, pelo curso

Márcia vai sozinha, de joelhos, em redor da Capelinha das Aparições. Entre várias raparigas que também ali andam a cumprir promessas (algumas de gatas), destaca-se pelo traje académico. Veio de Seia, como faz todos os anos. Mas desta vez a peregrinação é especial: “Porque acabei o meu curso. E por isso tenho mais esta graça que Nossa Senhora me concedeu”. Percebe-se a devoção, sente-se a emoção. “Ela é um apoio para mim. Alguém que está lá sempre que precisamos”. Não tarda, quando acabar as três voltas de joelhos, há-de juntar-se à mãe e às tias, que vieram a pé. E todas hão-de ficar até ao final das cerimónias de 13. “Queremos assistir à missa. E só depois é que voltamos para casa”. Lá, em Seia, espera-a um fato de treino e um par de sapatilhas, que lhe vão ajudar a pôr em prática o curso que agora agradece, e que frequentou no Porto. Márcia, 24 anos, é agora professora de Educação Física.

 

De férias em Fátima

Há um passarinho na gaiola daquela pequena caravana, instalada entre roulotes e tendas, num dos parques de campismo improvisados. Por estranho que pareça, Fátima não tem um Parque verdadeiro. Mas isso não impede Zélia Bessa e José Manuel Silveira de todos os anos ali acamparem, por mais de uma semana, a acompanhar a peregrinação de 13 de Maio. “Ou até às vezes, durante o ano, agarrarmos na auto-caravana e virmos por aí fora, até cá”. Em tempos percorriam os 280 km que separam Amarante de Fátima, a pé. “Agora já não. A idade não perdoa”, ri-se ela. Tem 55 anos, ele 58. Naquele dia, fizeram ali amizade com outro casal, Luís Rocha e Maria do Céu, ambos de 63 anos, vindos do Porto. A mesma devoção, o mesmo gosto “por este sítio”. Os donos do periquito apenas registam uma diferença: “Em Agosto vimos sempre para cá uma semana de férias. É sagrado”. Dito isto, falta agora ir à pastelaria do costume, tomar o café da praxe, depois da feijoada que aviaram ao almoço.

 

Raquel entre 500 peregrinos

Às vezes os caminhos da fé são tortuosos. Nem todos os conseguem percorrer com a mesma facilidade, de uma assentada. Raquel Silva, 28 anos, não foi capaz à primeira. No ano passado deixou Santo Tirso com essa vontade, mas ficou-se por Pombal. “Este ano está quase!”, conta, sorridente, embora adiante que “isto está mau”. “Isto” são as pernas inchadas e as bolhas nos pés. Está agora na localidade de Pinheiria, na difícil subida para Santa Catarina da Serra, recostada no banco de uma paragem de autocarro, enquanto a enfermeira Emília Gomes lhe alivia as dores físicas, com massagens. Raquel – que deixou a pequena Beatriz, de apenas 18 meses, entregue ao pai, mas cuja foto traz estampada na camisola – é apenas um dos 500 elementos da maior peregrinação deste 13 de Maio. São da Obra de Caridade ao Doente Paralítico, de Paredes. Vêm acompanhados de 100 voluntários. Mas de toda esta gente, só metade há-de ficar para ver e ouvir o Papa. “Vimos todos os anos. Desta vez calhou ele vir cá também…”

 

Há bolos e pão com chouriço

Depois da subida de Santa Catarina, já no centro da freguesia, um grupo de 13 formandos do curso de pasteleiro/padeiro dão mimos em forma de bolos e pão aos peregrinos. Acompanhados de alguns formadores, dão forma à ideia que tiveram de pôr em prática os ensinamentos dos chefes Élio Francisco e António Fernandes. Ao final da tarde do dia 11 já despacharam quase 200 sacos de plástico com três bolinhos cada, mais 400 pães com chouriço, queijo e bacon. Vêm da empresa de formação Leiriconsulte, e integram um dos cursos EFA (Ensino e Formação para Adultos), no âmbito do programa POPH. “Foi uma ideia deles, que correu muito bem”, conta Teresa Paiva, responsável da empresa, satisfeita com a adesão por parte das empresas da região, que contribuíram para tamanho feito.

 

 

O gratificante destino de Amélia

Para os peregrinos cansados, saturados, magoados com a viagem e com a vida, Amélia poderia ser apenas a dos olhos doces. Mas os 26 anos de experiência nestas andanças deram à enfermeira muito mais do que um olhar para aliviar dores de corpo, e sobretudo de espírito. Ela, que ali, naquele Salão Paroquial veste as cores da Ordem de Malta, vai supervisionando o trabalho dos outros voluntários. Antes esteve em Águeda, depois em Condeixa, enquanto outros companheiros estiveram no Barracão e na Caranguejeira. “É um trabalho cansativo para o corpo, mas é um bálsamo para a alma”, afirma. Amélia nunca foi a pé, mas é devota de Nossa Senhora de Fátima. E antes de voltar à vida de todos os outros dias, no Hospital Maria Pia, no Porto, acaba este, com a certeza de que fez “um trabalho muito gratificante”, em que lidou “com uma carga emocional muito forte, principalmente por parte das pessoas que vão pagar promessas”.

 

Da Arca de Maria para Fátima

Chama-se Jacinta desde há quatros e não faz questão de dizer o nome de baptismo. A jovem freira missionária tem 22 anos, nasceu em Minas Gerais, no Brasil, mas é em Alicante, Espanha, que “serve a Jesus e a Maria”. Ao lado, a irmã Bernardete também se baralha com a língua, oscilando entre o português e o espanhol. Tem 21 anos e nasceu em Brasília. As duas jovens brasileiras fazem parte da Fraternidade Arca de Maria. Chegaram a Fátima na manhã de 12 de Maio e marcaram o território junto à vedação, perto da Capelinha das Aparições. A Madre também veio, assim como um conjunto de leigos da paróquia onde está sediada a congregação, que em Portugal está presente em Vila Viçosa. E não lhe agrada muito a ideia de ver as duas freiras a falarem com jornalistas, “a não ser que seja apenas sobre a Fraternidade”. Dali não hão-de arredar pé, até que Bento XVI passe a um ou dois metros, e as abençoe. “Temos um grande amor pelo Santo Padre, mas sobretudo muita devoção a Nossa Senhora”.